Protesto na Galp Energia<br>em tempo de férias e de lucros
Algumas dezenas de representantes dos trabalhadores da Petrogal (Grupo Galp Energia) levaram a cabo uma acção de protesto, no dia 30 de Julho, frente à sede da empresa, exigindo que sejam repostos o direito à greve e demais liberdades democráticas, que graves comportamentos de algumas chefias das refinarias do Porto e de Sines, com cobertura da administração, puseram em causa após a greve realizada em Maio.
Ao final da manhã dessa sexta-feira - que, para alguns dos participantes no protesto, ainda era dia de férias ou era já o último dia de trabalho antes de férias - a administração apresentou publicamente os resultados da primeira metade do ano, com aumentos substanciais em todos os indicadores e quase duplicando os lucros. Para os accionistas ficará assim justificada a milionária remuneração do presidente executivo, Ferreira de Oliveira, que muitos mais milhões lhes dará a ganhar. Para os dirigentes e delegados dos sindicatos da Fiequimetal/CGTP-IN e membros da comissão de trabalhadores, a dimensão desses lucros e a forma como são distribuídos apenas acentuam a injustiça que querem ver corrigida.
«Só nos dois últimos anos, o senhor recebeu 3,461 milhões de euros de remunerações» e «no mesmo período, o total das remunerações pagas ao conjunto dos administradores da Petrogal/Galp ascendeu a mais de 14 milhões de euros» - refere-se numa petição que foi lançada nesse dia, endereçada ao presidente. A recordar os motivos por que os trabalhadores decidiram passar à luta, assinala-se ainda que, «apesar dos 213 milhões de lucros alcançados em 2009 e da imoralidade que constituem os vossos galácticos salários, o senhor e a sua administração entenderam impor uma redução substancial dos rendimentos dos trabalhadores, afinal aqueles que produzem toda a riqueza».
Em Abril, tiveram lugar quatro dias de greve e a forte adesão dos trabalhadores levou ao encerramento das refinarias.
Helder Guerreiro, de Sines, e Ribeiro dos Santos, do Porto, explicaram à nossa reportagem que - para além das ignóbeis atitudes que até já foram denunciadas na Assembleia da República por deputados do PCP e do PEV - a empresa decidiu estabelecer um período em que a greve, mesmo terminada, continuava a «afectar» a produção e, nesse pressuposto, concretizou nos salários de Maio o que já tinha ameaçado nos dias que antecederam a greve de 19 a 22 de Abril: a vários trabalhadores da produção foram descontados períodos superiores à duração da greve. O procedimento é ilegal, os critérios não foram uniformes e até trabalhadores que estavam de férias sofreram descontos nos salários, apenas porque foram indicados para os piquetes de greve.
Como o processamento contabilístico dos salários é feito ao dia 10, a empresa encontrou formas de fazer com que as folhas com os dias descontados fossem dadas a conhecer aos trabalhadores, a tempo de tentar contrariar uma nova greve, que teria início a 18 de Maio. Perante o clima de «terror» psicológico criado, esta acabou por ser suspensa pelos sindicatos, que decidiram recorrer aos tribunais e à ACT.
Os processos e as queixas correm os seus termos, mas os trabalhadores e as suas estruturas decidiram avançar já com novas acções. O destaque vai para a petição «Defender as liberdades democráticas na Petrogal», aberta à subscrição de trabalhadores desta e das demais empresas da Galp Energia, mas também de outros que queiram associar-se.
Exige-se ao presidente executivo que «dê as instruções necessárias para que sejam repostos os salários abusivamente tirados aos trabalhadores, bem como seja igualmente reposta a legalidade, de forma a restabelecer e preservar a manutenção dos princípios fundamentais do regime democrático na Petrogal/Galp».
A petição está publicada no sítio da federação na Internet (www.fiequimetal.pt).
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